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Filmes Gays e Séries Gays

Primeiras Impressões: Cucumber, Banana, Tofu – Spolier

2 de março de 2015

Ou também conhecido como o dia em que Russel T. Davies voltou e nos trouxe o “threesome” definitivo!

Em 1999, Russel T. Davies, de certa maneira, conseguiu atacar tabus ao trazer para a televisão a série Queer as Folk, que mostrava de maneira crua e realista uma porção do mundo homossexual.

Lembro claramente de quando assisti ao primeiro episódio de Queer as Folk. Um amigo me disse que havia encontrado a série da sua vida. Uma série honesta e sem medo de se fazer presente. Decidi conferir, afinal, como consumidora ávida de séries britânicas não poderia deixar essa passar. E a realidade é que eu não lembro de ter me chocado tanto (positivamente) com outra série como me choquei com Queer.

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Mas devo, também, mencionar outra realidade. A realidade em que eu não estava totalmente preparada para assistir uma série como aquela, não naquele determinado momento. Assim, minha primeira impressão de Queer as Folk foi somente sobre sexo. Digo “somente”, porque a série é bem mais que isso.

Passados alguns anos, decidi assistir a ela novamente e percebi o que Russel T. Davies realmente estava fazendo. Ele estava mostrando ao mundo, de maneira livre, a sexualidade em todas as suas formas. O despertar do desejo e a descoberta da sexualidade e dos sentimentos que acompanham. Ao mesmo tempo que mostrou que aquele que é livre alcança a satisfação, se é que me entendem.

E eis que, em 2015, Russel T. Davies faz de novo. A ideia para Cucumber, Banana e Tofu veio depois de ler um artigo sobre um estudo que classificou a ereção masculina em quatro categorias de “suavidade”. A primeira é o tofu, a segunda é banana descascada, a terceira banana com casca e a última (o ápice da ereção) é o pepino (foto auto-explicativa desse conceito na capa desse texto).

Diferente de Queer as Folk, Russel resolveu dividir o conceito em três séries interligadas. Mais incrível ainda é o fato dele conseguir abordar esse assunto, com naturalidade, em três emissoras diferentes (duas de televisão e uma online), nessa história totalmente conectada. Por si só, esse aspecto já é digno de comemoração, afinal, a melhor representação da sexualidade na televisão é para comemorarmos e aproveitarmos.

Em Cucumber e em Banana a sexualidade vem através do ponto de vista dos gays e lésbicas. Russel T. Davies é gay assumido e já disse que se sente mais confortável abordando um assunto que tenha conhecimento de causa. Queer as Folk foi uma das provas que ele sabe fazer isso muito bem. Em Tofu ele expande a visão sobre a sexualidade, e também o faz com qualidade. O ponto alto das três séries é o fato de que um assunto outrora visto com receio, pode (e deve) ser tratado com qualidade e simplicidade, mas principalmente com um roteiro energético, eficiente e que respeita o ponto de vista alheio, capaz de tratar com naturalidade de assuntos que vão além da divisão entre homossexualidade e heterossexualidade. O que é ejaculação precoce e cinto de castidade na fila do pão?

Cucumber é do Channel 4 e foca em Henry, um homem de meia idade que está em uma etapa da vida em que se vê totalmente perdido. Henry é o tipo de gay mais antiquado, mais cheio de consciência própria e podemos até dizer que ele faz parte dos “gouines”. Depois que um encontro com seu namorado, há 9 anos, dá totalmente errado, Henry se vê obrigado a dar uma guinada em sua vida. Henry precisará se permitir, dar vazão aos seus desejos reprimidos, ser feliz e ser livre. Sem contar que a analogia com o homem de meia idade e o pepino (ápice da ereção) é brilhante, ainda mais porque temos a falsa noção que um homem de 40 e poucos anos, independente de sua preferência sexual, já está mais seguro de si. Cucumber vem e mostra que insegurança, indecisão e receios não têm idade, independente, a confusão sobre amor e sexo podem permanecer a mesma.

Banana é do E4 e, como a maioria das produções da emissora, tem uma pegada mais voltada para os jovens. Banana pode ser considerada uma antalogia, já que não focará em um personagem específico e sim em um grupo de personagens homossexuais, homens e mulheres. Cada personagem com seu episódio, bem ao estilo Skins (também do E4). O objetivo de Banana é mostrar a sexualidade através do ponto de vista dos jovens, onde tudo é mais intenso e dramático. Exemplo disso veio no primeiro episódio focado em Dean, onde tudo, até a simples preocupação dos pais, são amplificados, sentidos a flor da pele e até mesmo distorcidos. Tudo é motivo de exagero e até mesmo inconsequência. Mas ser jovem é, um pouco, isso, certo? A capacidade de ser livre sem se preocupar muito com o depois.

Tofu é um documentário sobre sexualidade em geral, que pode ser visto como complemento do tema abordado pelas outras duas séries. Tofu é disponibilizado através do serviço on demand do Channel 4, o 4oD, e é lindo de ver pessoas de idades e preferências sexuais diferentes falando de sexo com a mesma naturalidade e sem o tal receio.

Podemos dizer que isso tudo também é a resposta para a a pergunta: qual motivo faz uma mulher heterossexual achar que pode escrever sobre uma série homossexual? Nem precisei responder dizendo coisas idiotas (porém verdadeiras) como: “adoro os gays e me dou muito bem com eles”, ou “tenho muitos amigos gays e festas gays são as melhores”, ou “minha porção masculina é gay”, ou muito menos que “um mundo mais gay seria um mundo mais feliz”. Faço essa review simplesmente para trazer informações sobre uma ótima série britânica, com um roteiro ótimo, realista e leve e que todos, homossexuais ou heterossexuais, deveriam assistir. Mas mais do que tudo, porque a série fala a língua universal do amor, desejo e sexo.

No primeiro episódio de Tofu, um dos entrevistados diz: “sexo é a melhor droga que existe, porque além de não ser ilegal, é mais viciante e satisfatória que todas as outras”. E isso é fato. Em um mundo onde esse assunto ainda é, um pouco, considerado tabu, onde cada dia é criado um novo nome para classificar sexualidade (gouines, goys, high sexuais, lamber sexuais), séries como essas são, de certa forma, um alento para tanta idiotice e preconceito que ainda existe por aí.

Nesse quesito, não há diferença. Amor é amor. Sexo é sexo. Sexo bom é sexo bom. Sexo ruim é ruim. Independente se você é homem que gosta de homem, ou se você é homem que gosta de mulher, ou se você é mulher que gosta de mulher, ou se você é mulher que gosta de homem. O que muda é anatomia e, claro, as posições. Mas você terá frustações sexuais, assim como terá sexo de explodir cabeça (espero que não literalmente – tum dum tááás). O que precisamos é falar mais sobre sexo, com mais naturalidade e menos preconceito, e entender que, de fato, sexo é uma forma de expressão e de libertação do corpo e demonstração de desejo e amor. Sexo também é um denominador comum. Todo mundo gosta de sexo, sim, todo mundo, até aqueles que dizem que não. E é isso que Russel T. Davies joga na nossa cara, de maneira curta, grossa e muito eficiente.

OBS1: preciso falar que a série fica ainda melhor por se passar em Manchester?

OBS2: beijo para o Luiz Gustavo Cristino, que é tão lindo que nem sei mais o que dizer, <3.

Fonte: Série Maniacos – Fernanda Santana

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